Segunda, Novembro 24, 2014
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Dependentes químicos travam batalha contra o vício e contra a solidão em Pium

dependentes4 320x240Esperança. Esse é o sentimento cultivado pelos dependentes químicos que se encontram em tratamento na Comunidade Terapêutica Nova Aliança, localizada na RN – 313 (Estrada de Pium), 14, fundada no dia 19 de junho de 2004 pelo pastor Murilo Vieira do Amaral Filho. Com capacidade para 70 pessoas, a instituição é hoje a tábua de salvação para 50 homens e uma criança de 12 anos que lutam contra o vício da maconha, da cocaína ou do crack.

 Uma batalha diária, que nem sempre é vencida. Muitos deixam a casa e acabam retornando meses depois por não conseguirem resistir às drogas. O perfil dos dependentes é parecido. A maioria descobriu o mundo das drogas com a maconha, passando pela cocaína e se estacionando no crack – altamente viciante e destrutivo. Por causa do vício, perdem namoradas, esposas, filhos e família. A internação é o último caminho a ser trilhado para não ter um destino pior: a cadeia ou o cemitério, como eles mesmos dizem.

dependentes2 320x240O desespero levou Carlos Antônio, 37, mais conhecido como Carequinha, a procurar ajuda na Nova Aliança. “Perdi tudo, mulher, filhos e família. Para não acabar no cemitério, vim pra cá com a ajuda de uma irmã”, disse o dependente químico, que aos 34 anos iniciou o consumo de crack. Natural de Macaíba, Carequinha está em tratamento há seis meses e sonha um dia reencontrar as duas filhas que hoje moram com a mãe em Pernambuco.

Ao falar sobre a família, as lágrimas são inevitáveis. “Eles tentaram me resgatar deste mundo maldito, mas o vício foi mais forte”, conta emocionado, o homem que por causa da droga perdeu 10 quilos. “Eu tenho 1m65 e fiquei pesando 54 quilos. Aqui consegui recuperar o peso. Estou com 64 quilos. Mas, ainda falta recuperar muitas outras coisas que perdi”, disse o entrevistado com o olhar vago, talvez tentando recuperar na memória parte desta história triste.

dependentes 320x240Outra história comovente é a Francisco Antônio Barbosa Barros, 42 anos, conhecido como Mossoró e que começou a se drogar aos 15 anos. “Meu irmão – a pessoa que eu mais amava neste mundo foi quem me ofereceu maconha. Ele já morreu e eu estou aqui, tentando sair deste abismo”, conta o homem que pesava 71 quilos e por causa do crack teve um emagrecimento forçado, passando para 60 quilos. “Eu não comia, não bebia nem dormia. Não fazia nada. Só pensava na droga. E isso não podia acabar bem”, lamenta.

Em virtude do vício do crack, Mossoró viu seu casamento chegar ao fim e agora sofre com a distância dos filhos e da ex-esposa. “É muito triste a solidão”, diz sem conseguir conter o choro. O homem experiente se transforma deixando nítido o seu arrependimento, mas sem forças para enfrentar o mundo novamente. “Só estou limpo porque estou aqui. Se tivesse lá fora já teria caído em tentação”, confessa.

dependentes8Reincidente, Mossoró conta que já passou por várias internações, sem sucesso. “É muito difícil, mas estou aqui de novo tentando me livrar do crack. Quando conseguir vou tentar recuperar minha família”, disse.

Aquiles Castro Santos, 34, busca no violão a cura para a sua dor. “O louvor me acalma e eu esqueço um pouco a solidão deste lugar”, diz o rapaz que há um mês luta contra o vício do crack. “Já fiquei internado uma vez e tive uma recaída. Estou confiante que agora vou conseguir”

Para ajudar a Comunidade Nova Aliança e por não ter recursos para pagar sua internação na comunidade, Aquiles Castro Santos ajuda como pode. Sai diariamente com outros quatro internos para vender desinfetante e, desta forma, contribuir para a manutenção da instituição filantrópica, que vive de doações e das mensalidades pagas pelos familiares dos pacientes.

DSCF7902 320x240Em cada corpo as marcas do vício, em cada rosto a tristeza da perda. Solitários ao extremos, cada um tenta a seu modo vencer os seus medos e suas fraquezas. Seja na academia, no jogo de dominó, no campo de futebol ou nos afazeres domésticos. Todos querem se ocupar para evitar a pensar no que fizeram e no que podem fazer se não forem fortes o suficiente.

A equipe do Giraparnamirim distorceu as fotos dos dependentes químicos internados na Comunidade Nova Aliança para preservar a imagem deles e evitar qualquer tipo de transtorno.



Texto: Yara Okubo
Fotos: Tião Pereira

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